6.23.2004

ECM em tempo de bola

O Ricardo, do mais que excelente Babugem, regressou a um dos seus locais favoritos para a prática do crime: o catálogo ECM.
Também eu tive a minha fase ECM-o-obsessiva, nos idos anos de 90. Durante meses vasculhei o que pude o baú de Manfred Eicher, e fui descobrindo, ou reencontrando em novas vestimentas, as guitarras de Ralph Towner, Terje Rypdal e John Abercrombie; os pianos de Paul Bley e Keith Jarrett – a solo e no grande trio ao lado de Gary Peacock e Jack DeJohnette –; os saxofones de John Surman, Jan Garbarek e Charles Loyd; o contrabaixo de Dave Holland, Charlie Haden, Barre Phillips e Arnild Anderson; a bateria de Paul Motion e Edward Vesala; a trompete de Don Cherry e Enrico Rava; o free jazz do Art Ensemble of Chicago e o free-New Orleans-pop de Lester Bowie; para não falar numa série de outros autores e grupos inclassificáveis, como Collin Walcott, Egberto Gismonti, David Darling, Meredith Monk, Oregon, e Jon Hassel, o criador do fourth world (a par de Brian Eno), que com apenas um disco nesta editora – Power Spot – conseguiu deixar a sua marca, incontornável para quem queira ter pretensões de conhecer a evolução da música moderna nos últimos 20 anos.
Como terão reparado, no que respeita a música e discos, eu sou de manias. Quando me interesso por alguma corrente, época, tipo, género, grupo, músico, editora, faço questão em tentar conhecer o que mais puder.
Assim, sem querer de forma alguma substituir a sapiência do Ricardo, atrevo-me a sugerir alguns discos ECM, para mim, fundamentais:
- Do furacão sónico chamado Edward Vesala – Lumi, Ode to the Death of Jazz e Invisible Storm, por esta ordem;
- De Keith Jarrett, para além do óbvio Köln Concert, as caixas ao vivo - a solo no Japão - Sun Bear Concerts - e em Trio no Blue Note de Nova Iorque;
- De Paul Bley, um disco mítico e conceptual intitulado Open to Love
- A grande homenagem a Louis Armstrong que é All the Magic de Lester Bowie;
- Odissey de Terje Rypdal; e, last but not least,
- 1961 de Jimmy Giuffre (com Paul Bley e Steve Swallow) – uma obra-prima absoluta do jazz modal, gravada originalmente para outra editora (a Verve) antes sequer da ECM ter inaugurado, mas que assenta como uma luva na estética sonora desta, dando-lhe nova respiração e mais longínquos horizontes, até porque se trata de uma das principais influências de vários dos seus músicos.

Como aperitivo, ou não, transcrevo um excerto das notas feitas por Giuffre para a edição original:

"Given: the urge to enter new realms, glimpse other dimensions, reach the absolute. Given: the visions received from thinking on such things as . . . gravity, Monk, electricity, time, space, the microcosmos, leaves, chemistry, power, Gods, white-hot heat, asteroids, love, eternity, Einstein, Rollins, Evans, the heartbeat, pain, Delius, Scherchen, Art, overtones, the prehistoric … wife, life, voids, Berg, Bird, the universe . . ."
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